Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Curar a Criança Interior - Ouvir a voz do passado

Quem lê esse texto,  provavelmente vê-se como sendo uma pessoa adulta. Maior de idade, livre para tomar as suas decisões, independente. Pode ser uma pessoa que procura a harmonia, com a intenção de tratar o próximo com compaixão. Alguém que procura amar - e ser amado.
E isso até pode ser verdade, se olhamos para o presente em que vivemos conscientemente. Mas quantas vezes não acontece que, numa determinada situação, surgem reacções emocionais que impedem respostas conscientes, compassivas e com respeito?
Todos conhecemos estas situações, em que o nosso "calcanhar de Aquiles" nos faz escorregar... Quando somos confrontados com o nosso "ponto fraco" pode acontecer que, instintivamente, temos uma determinada reacção que por sua vez impede um olhar aberto e imparcial.
Querem exemplos? Que tal de: Medos irracionais; ataques de fúria quando confrontado com situações de injustiça; ataques de pânico; retirar em silêncio quando confrontado com crítica ou a possibilidade de haver crítica; sentir-se atacado quando questionado; ataques de ansiedade ao pensar que alguém pode ter um julgamento.... a lista é enorme. São padrões de comportamento que inconscientemente podem surgir e se repetir.
Se vemos este fenómeno pelo prisma do Karma, podemos dizer: o padrão vai se repetindo até aprendermos a lição.
Se olharmos para o fenómeno recorrendo ao modelo da Criança Interior, podemos ver que o padrão se vai repetindo, até entender a sua origem e a ferida emocional ser curado.

A Criança Interior

Nesta visão sobre o desenvolvimento humano, a personalidade é formada à volta de um núcleo inicial: a nossa forma pura. Podemos entender esta forma pura como a nossa energia original em todo o seu potencial. Não se trata de classificar o núcleo como bom nem mal: é a nossa forma original.
Começamos a vida como um ser puro: inocente, natural, confiando no ambiente em que nasceu mas inadaptado a este e completamente dependente.
Este ser puro, esta forma pura, ainda existe em cada um de nós, embora escondido e pressionado por uma camada crescente de emoções dolorosas. No decorrer dos anos, aquele ser encontre dor e sofrimento ao ser confrontado com emoções e comportamentos das pessoas à sua volta. Pais e irmãos, a família e amigos, professores e colegas de turma: pessoas iguais a todas as outras, à procura da felicidade, não sabendo como a conseguir...  Podemos chamar a este aspecto da criança interior a criança magoada.

Para amenizar o drama e evitar um drama maior, a criança desenvolve estratégias de protecção. Por exemplo: para não sentir medo, esconde-se. Ou: para não sentir-se inferior, torna-se agressivo. As estratégias emocionais são tantas quanto há feridas emocionais; a armadura que é desenvolvida para se proteger contra a dor e o sofrimento é pessoal e única. A estratégia emocional de protecção ajuda a sobreviver quando o mundo é sentido como ameaça.
É óbvio que as estratégias são necessárias ao desenvolvimento da criança, no sentido q ueajudam a encontrar um lugar no mundo. Infelizmente, por terem sido desenvolvidas no passado, podem ser completamente desadequadas em situações novas. No entanto esta avaliação não tem lugar, há um reagir instintivo, muitas vezes mesmo imparável. O ego que se formou à base das experiências pode tornar-se incómodo para o próprio, podendo limitar mesmo o verdadeiro amadurecimento.

Mas certo momento percebemos que "sobreviver" não pode ser tudo que a vida tem para oferecer. Percebemos que faz falta amor-próprio: uma instância interior que guia - com amor e bondade. Faz falta uma força interior que conduz para um desenvolvimento pleno, em que é possível desfrutar da vida, experimentar liberdade, alegria, auto-estima: o adulto gentil e carinhoso.

Ao encontrar este adulto gentil e carinhoso, a criança interior que está no modo de sobrevivência pode começar a relaxar. A criança magoada pode voltar a sentir se ouvida, entendida, amada. A criança pura pode voltar a mostrar o seu potencial e reencontrar a sua confiança e fé original.

As relações com o mundo mudam, se voltamos a encontrar a pessoa adulta gentil e carinhosa. Abre-se o caminho para uma vida livre, em que a pessoa pode amar, e ser amada.
Esse é o propósito da cura interna da criança – parar de permitir que as nossas experiências do passado ditem como hoje respondemos à vida. 

A cura não pode ser feita sem revisitar a nossa infância. Precisamos de aumentar a nossa consciência e criar um outro nível de consciência que nos permita observar-nos, abraçar-nos e educar-nos novamente, como se de uma mãe/pai interior se tratasse. Numa terapia de Cura da Criança Interior, recorremos a diversas formas de meditação para resolver os assuntos do passado. A prática de mindfulness é importante, mas também a prática do perdão através de Ho'oponopono. Depois haverá a meditação de cura propriamente dito - mas também pode ser necessário uma preparação para ganhar coragem em enfrentar a emoção....São aproximações que promovem o relaxamento e o entendimento de como a dor e a mente interagem. Outras práticas podem ser necessárias, cada pessoa precisa e merece um percurso individualizado. Quer mais informação ou falar sobre o seu caso? Contacta me através do email!

O workshop da Cura da Criança Interior que terá lugar este fim de semana, em Moura, funciona como uma introdução ao tema.
Veja o evento na página da Zen Atitude !


quarta-feira, 11 de outubro de 2017

As múltiplas dimensões do Ser Humano


Este texto foi escrito em jeito de resposta às muitas perguntas que me são dirigidas sobre a multidimensionalidade. Não é mais do que uma introdução, quando muito é um olhar global sobre o tema, sem pretensões de ser completo. Baseando-me nas minhas proprias experiências e aprendizagens, e transmitindo aquilo que me é dado para entender, juntei umas observações que espero úteis para uma reflexão mais profunda sobre a verdadeira natureza humana.
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O Ser Humano é um Ser Multidimensional: é simultaneamente um ser material, biológico, emocional, psicológico, espiritual e energético. Abrangemos muitas dimensões, que podemos igualmente entender como sendo "planos de consciência".

Poder integrar todas estas dimensões num só Se coerente e harmonioso, que vive fiel à sua essência original, é tido como o sentido da vida humana.

Fala-se muito da “ascensão da terceira à quinta dimensão” – mas o que significa esta frase? Terá a ver com as dimensões tal como as aprendemos na escola, em que há comprimento, altura e profundidade, e a quarta dimensão é o tempo? Se esse fosse a única explicação, nunca poderemos conhecer a quinta dimensão, porque tudo o que nos é dado a conhecer tem essas dimensões – e a ferramenta de que dispomos para aprender, o seja, a capacidade do nosso corpo, ela própria é composto por essas dimensões.

Um olhar diferente que pode ajudar uma compreensão diferente, é nos oferecido quando usamos como ponto de partida não o nosso corpo físico, mas a nossa existência energética. É possível ter uma experiência direta das diferentes camadas energéticas que compõe a vida. Podemos tentar descrever em palavras o que são essas camadas, e de que maneira elas estão nas nossas vidas, embora seja sempre uma descrição parcial. A experiência directa ensina muito mais do que as palavras alguma vez possam oferecer. No dia-a-dia, temos mais consciência da terceira e quarta dimensão, mas todas as dimensões encontram-se presentes e são acessíveis.
O que apresento aqui é um olhar muito resumido, há tanta informação a passar que podia escrever um livro sobre estes assuntos... Este texto, quando muito, servirá de introdução...

A primeira dimensão está ligada ao centro da terra. É o início de todas as formas de matéria e vida na Terra! Pela rotação da Terra e, com ela, de todas as estruturas químicas das pedras, metais e cristais, a Terra tem um campo energético forte. Ela emite ondas electro magnéticas - é uma entidade como um espirito. E cada mineral, cada cristal, tem a sua frequência própria, a sua identidade. É a partir destes elementos que todas as formas de vida nasceram.

O contacto com a primeira dimensão é fundamental para o nosso enraizamento e o contacto com o nosso corpo.

Se precisamos de cura a esse nível, por exemplo porque temos deficiências de certas minerais no nosso corpo, podemos recorrer a suplementos – por exemplo, o suplemento de magnésio, que é fundamental para o bom funcionamento do sistema nervoso e muscular.

Outro aspecto da cura ao nível da primeira dimensão é encontrado na cura de cristais, em que se recorro ao contacto físico com os cristais para a harmonização do corpo. Deixamos que a “consciência” do cristal fala com o corpo...

A segunda dimensão é o plano em que encontramos a consciência das plantas, dos micróbios, bactérias, e todos os processos químicos que aqui têm lugar. Também é a dimensão em que encontramos os elementais (seres da natureza).
Todos os processos no nosso corpo dependem dessa segunda camada. É aqui que os códigos da vida foram definidos ao longo da evolução.
Estar em equilíbrio, alimentar-nos com a alimentação certa, é uma maneira de curar o nosso corpo, as nossas células e inclusivamente, recuperar o nosso ADN. São as plantas que alimentam o nosso corpo com a sua consciência – mesmo quando comemos carne, porque a carne só existe porque o animal comeu as plantas… A cura pelas ervas, fitoterapia, a alimentação ayurvédica ou macrobiótica, todas essas são aproximações que fazem com que a segunda dimensão possa estar harmoniosamente presente na nossa vida.
Os seres associados a esta dimensão são os elementais – formas energéticas, consciências que podem alteras a sua frequência de tal maneira que podem tomar várias formas: a brisa leve, umas gotas de água, calor… mas também podem tomar uma forma visível. Cada vez mais os seres humanos podem ver os elementais, seja como elfos, gnomos, fadas ou faunos; podem aparecer como salamandras ou mesmo como flashes de luz.

A terceira dimensão é a camada do nosso espaço linear, das nossas percepções sensoriais, da vida na terra e das suas relações. É a dimensão em que os Humanos se movem primariamente. É o plano das emoções, do instinto, das paixões, dos desejos e das aversões. Vivemos a maior parte do tempo nesta dimensão, que é uma realidade em grande parte criada a partir da consciência humana.
A terceira dimensão é o nível da autoridade e do poder. É nesta dimensão que somos vulneráveis para a manipulação das emoções e da informação, porque é nesta dimensão que foram criados os “programas”, formas de pensamento e ideias colectivos. Pensa em ideologias, religiões, crenças…tudo que defina a maneira em que olhamos para nós. Média, a política, lóbis, são as ferramentas usadas para manter o medo, a ira e o ódio activos: a terceira dimensão é a dimensão do Ego.

A maneira em que equilibramos as nossas emoções defina em que medida seremos capazes de nos libertar deste plano para mover-nos livremente nas outras dimensões, a fim de integrar os diferentes planos e criar saúde e harmonia.

A quarta dimensão é o reino do espírito, da consciência colectiva, dos antepassados. É como se fosse uma esponja que absorve tudo com que é alimentado: pensamentos, sentimentos… É o plano onde vivem as almas que não se libertaram ainda, e que funcionam como seres humanos: alimentam-se (com energia), têm emoções, até sentem e reagem emocionalmente. Mas também é o plano onde vivem os “animais totem” (spirit animals) e os antepassados espirituais, e onde permanecem guias fortes e importantes.

Os xamãs e curandeiros espirituais acedem a este plano para conseguir as suas curas; falam ou interagem com os espíritos que perturbem os sistemas dos seus pacientes, de maneira que são libertos e o corpo fica novamente na sua harmonia original.

Nesta dimensão estão colocadas programações colectivas: as crenças que fazem com que o ser humano acredita que é apenas aquilo que se encontra entre os pés e a cabeleira, e que a realidade é apenas aquela que pode ser percebida com os cinco sentidos. A ideia que somos pequenos perante os perigos, incapazes de nos proteger contra doenças resida aqui; o medo da morte e da doença, a ideia que somos dependentes das circunstâncias para nos sentir bem; que temos que recorrer à concorrência e luta para poder ter acesso a riquezas supostamente limitadas (alimentação, água limpa, medicação…) – tudo isso é constantemente repetido em pensamentos, palavras, expressões de vária ordem.
A quarta dimensão acaba por ser aquela manta de egrégoras, dividido entre o Bem e o Mal, que pode fazer com que ficamos presos à terceira dimensão, presos à ideia que não somos mais do que a nossa presença física e o Ego.
A quarta dimensão é regido pelos Annunaki.

A quinta dimensão é um reino de Luz, concentrado à volta do nosso coração. Nesta dimensão vivemos toda a força do AGORA. É o reino do amor, onde não existe a forma humana mais densa como conhecemos na terceira dimensão. É o plano onde deixamos para trás as noções do que se deve o não se deve fazer; o que é bom ou mal – também a superioridade e inferioridade deixam de fazer sentido neste plano.

Os Pleiadianos são os cuidadores deste plano; estes seres cuidam do Amor que mantém o Universo unido. No nosso coração podemos encontrar o universo inteiro; acedendo ao Coração, e entregando-nos ao Amor que aí encontramos, podemos aceder a essa dimensão.

Há ainda mais dimensões, que agora não elaboro mais detalhadamente (talvez num artigo próximo) como a dimensão das Leis – a consciência da geometria sagrada. Neste plano de consciência acedemos a todas as iniciações que alguma vez passamos; em conexão com esta dimensão podemos ter consciência da verdadeira Força de que dispomos. Outro plano é a dimensão em que podemos sentir a chamada Consciênca Divina: o plano em que sentimos que realmente somos Filhos do Criador, criadores por natureza.

O que nos libertará é no fundo a integração das dimensões. Cada plano pode ser vivido e experimentado, se pousamos aí a nossa atenção plena, com dedicação, paciência e curiosidade para observar o que existe aí. Ao tornar nos conscientes daquilo que se passa a cada plano, podemos libertar-nos das amarras das crenças, que nos mantém no 3D e integrar os outros planos na nossa existência.



domingo, 1 de outubro de 2017

Lua Cheia de Outubro: Carneiro-Balança, o eixo dos relacionamentos

A primeira Lua Cheia depois do Equinócio, quando o Sol está em Balança, surge em Carneiro. Sol e Lua opostos, em Carneiro e Balança: o eixo do relacionamento.

Quando a Lua está em Carneiro, primeiro signo do Zodíaco, a nossa individualidade é sublinhado.
Carneiro traz a energia do pioneiro, da individualidade, do ego pessoal - é uma energia da entrada com força: "atenção que cheguei agora". Relaciona-se com o primeiro chakra - o levantar do chão, o manifestar quem és; dizer que sim, aceito essa incarnação física. É altura de aceitar o corpo e a sua força.
A Lua Cheia ilumina o que está normalmente oculto, e aquilo que é sentido como força de opressão ou de limitação da força individual, pode explodir agora. O Carneiro acordará a paixão e força de vontade para que a mudança possa acontecer!

O eixo do relacionamento entre "Eu" e "Nós" - o momento sugere que estamos a viver um conflito real. Podem surgir dúvidas acerca de relações interpessoais - serão mutuamente respeitosas? A maneira como relacionamos com os outros reflecta a maneira como nos relacionamos com os vários aspectos em nós. E vice versa: não estamos somente a trabalhar para resolver e melhorar relacionamentos pessoais. Estamos a trabalhar também para a integração da humanidade como um todo.

A evolução natural e universal é do individual para o colectivo. E no curso do ano, acompanhando o Sol que viaje pelo Zodiaco, o movimento é precisamente esse. Cada ciclo dá nos oportunidade de evoluir, aprender e ultrapassar aspectos egocentricos, para poder entender melhor como pertencemos a esse grande conjunto que chamamos Universo. Balança leva-nos a entender o equilíbrio com o ambiente em que vivemos. Balança é conhecido por ser criador de paz, bem como criador de guerra! Símbolo da Lei divina, Balança convida a  avaliar motivações e objectivos, e escolher a via do meio, a via justa, juntando opostos.

Carneiro governa a cabeça, o cérebro, os olhos, o rosto e os músculos do corpo, bem como o fluxo sanguíneo. Carneiro é um ser inflamado que reage a quente. Nesta lua cheia, isso é precisamente o que devemos evitar. Carneiro também pode ser imprudente, irritado, impaciente, inquieto. Nada vem o suficiente ou rápido o suficiente para ele. O seu temperamento pode ser incontrolável. No entanto, o momento pede que fiquemos calmos.

O nosso karma depende do que e o quão bem aprendemos. O nosso karma depende também do nosso amor próprio. Se não está com as pessoas ou parceiros certos, é agora que a intuição lhe vai dizer: é altura de sair. Agora mesmo.

Encontra as pessoas certas com que podes caminhar tanto nos dias bons como nos dias maus. Encontra as pessoas que usam ambas as partes do cérebro, e alia-te. É preciso ter cuidado com quem nos aliamos, mas a intuição dirá: é importante não pensar demasiado, mas sim sentir o que está certo. Não é complicado. Já sabes o quê e quem vais escolher!

A verdadeira magia de Carneiro é o renascimento, o fogo primordial. Atreve-te romper com ligações que te fazem encolher ou esconder quem és.

Celebração e Meditação da Lua Cheia
Local: Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora
Data: 5 de Outubro (Quinta-feira)
Início: 19.00h.
Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequado para exprimir a gratidão. Participação na cerimónia por donativo.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Olhar o Céu - celebração da Lua Ceia

Neste fim de semana, a Lua Cheia vai aparecer em Capricórnio, oposta ao Sol em Carangueijo.
Em vez de elaborar os temas desta Lua, queria escrever sobre os ciclos e como os movimentos ciclicos dos corpos celestes podem contribuir para uma maior consciencialização e melhor compreensão da nossa vida e da nossa evolução como ser Humano. Muito se tenha escrita sobre a importância desta Lua, como sendo um momento energetico que vai provocar mudança profunda no nosso ser. (mais acerca disso no final deste texto)

A celebração /meditação da Lua Cheia terá lugar no domingo, 9 de Julho, às 20.30h
no Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora.


Olhando para o céu é difícil não ficar maravilhado pelo mistério dos corpos celestes. O céu não é estático ou fixo: as estrelas mudam de posição ao longo do ano e todos os dias o Sol e a Lua aparecem em posições diferentes, como se estivessem numa dança cósmica, seguindo ciclos e padrões...

Estamos habituados a pensar no ciclo da Lua como uma dança a solo, em que ela cresce, muda de forma, diminua e desaparece para renascer. O ciclo da Lua na verdade é uma dança em que o par é o Sol: a forma da Lua muda com a quantidade de luz refletida do Sol, observável a partir da Terra. A medida que a Lua dá a sua volta à Terra vemos mais ou menos luz reflectida, o que se relaciona com a quantidade de energia lunar que está conscientemente disponível.

Do ponto de vista astrológico, a Lua representa a parte emocional e sentimental da psique, bem como a intuição e criatividade. Ela liga-nos ao subconsciente e é nossa primeira ligação com os aspectos não físicos. A Lua representa os aspectos mais pessoais de quem somos, incluindo a nossa necessidade primordial de estarmos ligados aos outros. A raíz desta necessidade está no relacionamento com a nossa mãe e família de origem - simbolizando a nossa necessidade de receber nutrição. Ela indica o que nos faz sentir nutridos, bem como a forma como gostamos de nutrir os outros. A Lua abre caminho para o nosso sentimento mais primitivo, a Criança Interior, frágil e gloriosa. A energia da Lua representa o elemento Água, movendo se com fluidez de uma intuição para outra...

O Sol, por outro lado, simboliza a mente e o rácio, o nosso propósito e a nossa identidade. É a força motriz fundamental da vida, que fomenta o nosso crescimento. O Sol faz nos expandir, dá forma a quem somos, como a vegetação que se desenvolve, formando plantas e árvores sob a luz e o calor do Sol. É o sentido primordial de nós próprios. O Sol mostra como nos vemos a nós, o que muitas vezes é diferente daquilo que os outros vêm de fora! Alimenta a nossa força de vontade e intenção consciente.
A energia do Sol representa o elemento Fogo, inspirando-nos a irradiar o espírito de quem somos, partilhando com todos o nosso brilho.

O signo em que está o Sol no dia do nascimento, transmite as características com que mais facilmente transmitimos o nosso sentido de identidade e propósito. O signo em que se encontra a Lua no momento do nascimento mostra o que nos faz sentir realizados ao nível de segurança interior, de sentimento de pertença e como nos sentimos apoiados.Também mostra como acedemos e exprimimos a nossa criatividade e intuição: é o portal principal para o lado místico, oculto, não-racional do nosso ser.

Independentemente do signo astrológico, respondemos às energias de todos os signos. Ter o Sol num certo signo significa que há mais ênfase nas características desse signo - mas dentro de nós encontramos as energias de todos os outros signos, já que o zodíaco reflecte todo o espectro da experiência que o Ser Humano atravessa. Assim, à medida que os ciclos lunares se sucedem ao longo do ano, temos a oportunidade de crescer e expandir-nos nas áreas relacionadas com o signo de cada Lua Nova - que coincida com o signo em que o Sol se encontra.

O Casamento da Lua e do Sol
Olhando para o céu, e seguindo a dança da Lua e do Sol pelo Zodíaco, podemos acompanhar conscientemente a nossa evolução emocional e espiritual.

Lua Nova - Intenção


A Lua Nova é altura de plantar a semente para o próximo ciclo. Que temas de aprendizagem e crescimento foram iniciados na Lua Nova? As qualidades do signo em que se encontra a Lua Nova influenciam os eventos que se desenvolvem enquanto a Lua vai crescendo. A manifestação dos temas acontece no período da Lua Cheia, e podemos aplicar e integrar esses mesmos temas na nossa vida no período da Lua Minguante. Quando a Lua mergulha novamente na escuridão da Lua Nova, é altura de libertar para na Lua Nova seguinte colocar nova intenção na semente do próximo ciclo. Como queremos cultivar a energia resultante do ciclo passado? Plantamos nova semente... para colher o fruto da nossa intenção na Lua Cheia.

Lua cheia - Manifestação e Colheita
Quando chega a Lua Cheia, tudo o que tem vindo a desenvolver-se, atinge agora a abertura total. O Sol e a Lua estão agora opostos um ao outro no céu, a Terra no seu meio. A energia lunar emergiu completamente, vindo da escuridão do inconsciente, iluminado pela luz da consciência do Sol. As possibilidades, ocultas na altura da Lua Nova, manifestam-se agora como realidades.

Psicologicamente, a experiência do domínio interno está no auge - sentimos e temos consciência das emoções e necessidades, da intuição e da nossa ligação com o subconsciente. Se não temos consciência de nossa dinâmica interna, ou se ainda não aprendemos a separar nosso drama emocional interno do nosso comportamento externo, corremos o risco de impulsos primitivos explodirem antes de percebermos o que está acontecendo. Por outro lado, se cultivamos alguma autoconsciência e adoptamos maneiras construtivas de lidar com paixões e sentimentos, a Lua Cheia pode ser um momento de energia poderosa.

Nos dias de Lua Cheia há magia no ar. Com a energia dela podemos usufruir daquilo que nasce nas profundezas dos nossos desejos e impulsos. O Sol e a Lua estão em harmonia, num casamento perfeito de vontade consciente e intuição mística. Importa manter agora em mente que as energias para a totalidade do nosso ser: é fulcral procurar equilibrio entre os sentimentos, necessidades e impulsos por um lado e a autoconsciencia e realismo no outro lado, para não ficar "aluado". Se cuidamos do equilibrio, podemos aceder à "sabedoria lunática", em que o Grande Mistério e o eu Superior falam connosco.

Lua Cheia no Cromeleque dos Almendres

As noites da Lua Cheia são celebrações do Casamento Celestial: a força masculina do Sol une-se com a força feminina da Lua. A Terra está no meio, como a filha que tomou a sua forma neste encontro.
Nós, seres humanos, somos na profundeza do nosso Ser, resultado da interacção de forças semelhantes. Olhando para a Natureza, podemos perceber que a nosso vida física, bem como as condições em que a nossa vida se desenvolve, resultam de uma relação entre a Mente e a Alma. No contacto com a Natureza, podemos chegar à reflexão sobre o equilíbrio que estabelecemos em nós, e entender que uma vida saudável e harmonioso resulta de uma relação saudável e equilibrado entre o que vai no nosso coração e na nossa alma, por um lado, e a nossa mente racional e lógica por outro lado.

Há milénios que o Cromeleque existe como monumento aos ciclos da natureza. Muitas gerações já celebraram aqui a União com a Terra - cada um à sua maneira, com os seus próprios rituais. E mesmo para o Homem moderno, continua importante a celebração. Também para nós continua a ser fulcral perceber que não Somos em vão. Que a nossa vida faz sentido.

A ritual is the enactment of a myth. And, by participating in the ritual, you are participating in the myth. And since myth is a projection of the depth wisdom of the psyche, by participating in a ritual, participating in the myth, you are being, as it were, put in accord with that wisdom, which is the wisdom that is inherent within you anyhow. Your consciousness is being re-minded of the wisdom of your own life. I think ritual is terribly important.
Joseph Campbell, "The Wisdom of Joseph Campbell," New Dimensions Radio Interview with Michael Toms, Tape I, Side 2


Um ritual é a encenação de um mito. E, ao participar no ritual, você está participando no mito. E já que o mito é uma projecção da sabedoria profunda da psique, participando num ritual, participando no mito, você está sendo, por assim dizer, colocado em sintonia com essa sabedoria, que é a sabedoria que lhe é inerente de qualquer maneira. A sua consciência está sendo lembrado da sabedoria na sua própria vida. Eu acho que o ritual é muito importante.
Joseph Campbell, "A Sabedoria de Joseph Campbell"

A celebração /meditação da Lua Cheia terá lugar no
Domingo, 9 de Julho, às 20.30h no Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora


Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequado para exprimir a gratidão.
A participação na cerimónia é por donativo.
Estão todos bem-vindos!


Acerca dos temas desta Lua Cheia, em Capricórnio, oposta ao Sol em Caranguejo, reproduzo aqui as palavras de Ana Carrilho (Círculo da Deusa)Ç
Capricórnio simboliza a nossa segurança no mundo, a nossa estabilidade física, material, financeira, as estruturas sociais que são o palco em que vivemos; as nossas conquistas exteriores, aquilo que materializamos...
Caranguejo, o signo oposto, onde está o Sol, simboliza as nossas emoções, sentimentos, a forma como nos sentimos seguros emocionalmente, a forma como cuidamos de nós, aquilo a que chamamos lar (que nem sempre é uma casa)...
Em Capricórnio, a Lua vai encontrar-se com Plutão, o senhor do «submundo». Nestes últimos dias, já sentimos Mercúrio a fazer oposição a Plutão, sendo que agora é a vez de Marte... Temos pessoas e circunstâncias a pressionar «botões proibidos», mostrando-nos a nossa «sombra», o nosso «submundo»: Tudo o que não queremos ver em nós, que acreditamos que é causado por este, por aquela, porque aconteceu ou deixou de acontecer assim e assado. Levantam-se irritações, culpas, vergonhas, desejos, medos, ciúmes, invejas, tristezas, …
Parece-me que a lição raiz é acerca do controlo e da perda ou ausência de controlo. Colocamos o nosso poder e a nossa segurança no exterior: nas coisas, nas pessoas e nas circunstâncias que nos rodeiam. Como não queremos assumir a responsabilidade pela nossa infelicidade, abdicamos do poder que temos sobre a nossa felicidade.
Habituamo-nos a que tudo seja de um certo modo e esperamos arrogantemente que esteja sol e calor só porque é Verão; esperamos que as outras pessoas ajam como nós achamos que elas deveriam agir; temos uma super-aversão a deixar partir aquilo que tomámos como nosso – desde formas de (re)agir e pensar, a empregos, a estados de saúde (e doença), a relações e pessoas. Pensamos «Isto é meu e isto é assim. Sempre foi assim e sempre há-de ser.»
E eis que Plutão entra em acção, como nesta semana, e nos diz: «Vou-te levar isto. Desenrasca-te.»
A tendência é sentirmo-nos impotentes. Dependendo do que a Vida leva, a nossa reacção pode ir desde a irritação à profunda depressão...
O segredo é (re)descobrir o verdadeiro poder, a verdadeira segurança – é trabalhar os alicerces internos, torná-los simultaneamente mais resistentes e mais flexíveis.
Porque quando a Vida nos tira algo, está a querer lembrar-nos da nossa capacidade de Criar.
Somos levados a pensar que a felicidade é algo que sentimos se a Vida nos der as condições certas, quando, na verdade, a felicidade é responsabilidade de cada um, a cada momento. É algo que temos de criar interiormente para conseguirmos conquistar as «circunstâncias» que nos são mais adequadas.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Retiro de Meditação em Evoramonte

Nos dias 9, 10 e 11 de Junho vamos estar de retiro nos campos de Alentejo.
O primeiro dia do retiro coincide com a Lua Cheia! Assim, na sexta feira, abrimos o retiro com uma meditação / cerimónia da Lua Cheia.....


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